sexta-feira, 13 de julho de 2012

Da parte sentimental: Eu gosto de escrever.


Eu gosto de escrever, mas não para os muito amigos. Pois eu não gosto de escrever defeitos. E infelizmente, nós humanos que andamos na fila indiana do mundo, onde as pessoas carregam dois sacos e o da frente só tem virtudes, já o das costas, os defeitos. Olhando para a frente, enxerga-se apenas nossas virtudes e os defeitos alheios. Por isso gosto de escrever para pessoas que tem beleza. Gosto assim, de escrever para quem eu me apaixono. E eu me apaixono por muita coisa simples e tenho vontade de escrever para muita gente. As que sinto necessidade de escrever defeitos, peço que nunca pegue um lápis para o dizer. Acho que prefiro morrer sem nunca falar. Agora, as que eu tenho vontade... ah... essas sim mereciam aguardar do lado de fora da porta a obra ficar pronta. Pois essas são as coisas que me doem a felicidade de tão radiante. São as pessoas que eu penso na rotina diária da vida, imagino elas com outras que eu conheço que talvez uma mistura caísse muito bem. As que eu gostaria de viver apenas uma situação especifica, as que com um sorriso me encantam tanto. As que eu vivo uma situação passageira. Será que assim eu gosto de usar as pessoas por tanto querer elas perto de mim? E assim, sem mais nem menos, abandoná-las na doce ilusão que eu criei nelas próprias de viver o meu mundo de fantasia. Meu, meu... egoísta esse meu, meu. Escrever é um ato de egoísmo, dependendo do ponto de vista. Poderia estar ajudando alguém ao invés de ficar ai, matutando coisas sem sentido. Já escrevi muitas cartas... já escrevi coisas que quis decorar, de tao belas palavras colocadas, uma após a outra, numa sequencia delicada. Porque as palavras não são escritas de sopetão, como são ditas... as palavras podem ser pensadas, e mudadas de lugar. Por isso que prefiro escrever do que falar. Eu escrevo melhor do que falo. Virtude. Eu gosto mais de pensar do que de agir. Eu gosto mais de bastidores, prefiro não aparecer, esse é meu lado eu. Ou gosto de aparecer, mas só se for para encenar o que as palavras dizem por trás do palco da minha vida. Ai sim, eu apareço. Mas só em cima de algum palco, ou na frente de algum microfone por trás de uma mascara azul. Não tenho futuro como escritora, gosto muito de Clarisse Lispector, mas a vida me ensina a ler Peter Drucker e eu me convenço de que gosto mais dele, porque ele é competente, bem sucedido e isso me atrai. Mas Clarisse escreve sentimentos e emprega suas palavras como a minha mãe faz ao calar as palavras e dizer tudo o que eu sinto. Cala-se as palavras para dizer, acho que Clarisse é assim. 

Agora, eu queria mesmo era escrever para uma pessoa que me apaixonei recentemente. Dessa vez, é um cara, que eu não gostaria de chamar de cara, acho que chamaria de delicada flor não lapidada do meu mundo. É, esse é dos meus. Essa será uma carta que não será escrita. Pois seria romântica demais, e as vezes as pessoas não entendem que eu sou apaixonada por elas o tanto que elas deviam ser por elas mesmas. Assim eu nunca entendo quando alguém se apaixona por mim, pois acho algo normal. Defeito. Pois ando ao contrário na fila indiana do mundo...


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